A aventura de um Sul-Coreano na África

by • 8 de maio de 2013 • Africa, Espaços de Aprendizado, inspiração, Jornada, Pessoas, UncategorizedComments (4)4958

Quando se fala em ranking da educação no mundo, é bastante comum ver a bandeira de países nórdicos e asiáticos sempre entre as primeiras posições.

No ranking divulgado no final de 2012, a Coreia do Sul aparece em segundo lugar, e o Brasil em penúltimo, logo atrás do México e à frente da Indonésia.

Como brasileiro, isso me faz pensar em várias coisas. Me traz a lembrança da fantástica Green School, escola internacional que visitamos em Bali, uma das ilhas que faz parte da Nação que ficou na última colocação, e também me deixa envergonhado com relação ao meu país.

Mas longe de trazer qualquer resposta. Trago uma pergunta: O que é afinal uma boa educação?

Hoje, tive a chance de entrevistar um Sul Coreano sobre suas impressões a respeito de várias coisas. Entre elas, obviamente, educação.

Insoo Baek, um Sul Coreano em terras africanas

Insoo Baek, um Sul Coreano em terras africanas

Insoo Baek tem 28 anos e já passou por muitas aventuras. Voluntariado em fazendas em Israel, na Índia em Calcutá, além de experiência no exército dos EUA e também trabalhando na Nigéria em companhias de petróleo. Difícil pensar em contrastes maiores.

Atento à situação do mundo atual (e nem um pouco feliz com ela), Insoo decidiu procurar um curso sobre “Desenvolvimento Sustentável”.

Mesmo não estando seguro sobre seu nível de inglês,  decidiu inscrever-se num curso de Mestrado internacional. Para sua surpresa, passou, e então deixou seu emprego na Nigéria e voou para a África do Sul para mais uma etapa em sua vida.

Insoo em ação durante um dos trabalhos em grupo no Sustainability Institute

Insoo em ação durante um dos trabalhos em grupo no Sustainability Institute

Ele é um dos 49 alunos (vindos de mais de uma dezena de países) da turma de 2013 no Sustainability Institute, iniciativa que fica dentro de uma ecovila fundada ha mais de 10 anos entre as cidades de Cape Town e Stellenbosch. Esta iniciativa já foi retratada aqui em um de nossos posts anteriores.

Estudantes meditam durante uma das saídas de campo

Estudantes meditam durante uma das saídas de campo

Quando pergunto para Insoo sobre como é o sistema de educação na Coréia do Sul ele responde rápido:

“Totalmente diferente deste aqui. É aprendizado num único sentido. Você se senta e ouve.” Sobre discussões em grupo : “Não muitas. Alguns professores tentam coisas diferentes, mas os estudantes rejeitam pois tem medo de ter notas piores. No final o objetivo é ter notas altas e assim poder trabalhar numa grande empresa, é uma sociedade bem materialista. Por sua vez, as universidades também estão interessadas em ter boas notas, pois é assim que conseguem patrocínio das empresas.”

Quando pergunto para ele sobre em qual o modelo ele aprende mais (no tradicional Sul Coreano ou no modelo mais “holístico” do Sustainability Institute) ele hesita e responde: “Não estou certo sobre onde aprendo mais, mas sem dúvida este aqui me faz pensar…este aqui me faz PENSAR (exalta)! Não se trata de memorizar coisas para ter boas notas, me faz pensar sobre diferentes perspectivas. Este instituto me faz sérias perguntas.”

A conversa com Insoo também me fez pensar. Pensar sobre estes rankings e de fato do que se trata esta tal “qualidade na educação”.

O Sustainability Institute é uma das últimas paradas (será?) nesta nossa fantástica jornada em busca de educação “diferente”.

Pin It

Related Posts

4 Responses to A aventura de um Sul-Coreano na África

  1. Herbert disse:

    Incrivel… o mais bacana e’ perceber como Sul Coreanos se dao tao bem com brasileiros… Apesar de nao parecer, eles sao super abertos a novas ideias e tendem a ser extremamente tolerantes em muitas coisas.
    A educacao na Coreia do Sul certamente deve estar atrasando muitas coisas boas que poderiam acontecer nesse pais… mesmo figurando entre as melhores do mundo… DEIXEM OS SUL COREANOS PENSAREM!!! DEIXE O MUNDO PENSAR!!!

  2. Post simples, direto e sem pretensões – porém bastante abrangente em seus desdobramentos e profundo nas reflexões que propõe, em especial a questão acerca do que venha a ser essa tal “educação de qualidade” ou “qualidade na educação”.

    Grosso modo ao que parece o objetivo que atualmente se busca e privilegia é a capacidade de retenção e reprodução de informações, sem contudo promover oportunidades do uso desse “arsenal” em reflexões que desemboquem em ações com capacidade de alterar a realidade.

    Impressionante a constatação de que um estudante egresso de um sistema educacional ranqueado como o segundo melhor do mundo somente agora, aos 28 anos e num mestrado, tenha sido confrontado com uma proposta educacional que o faça PENSAR!!! (aqui exalto eu.).

    E mesmo pensando, ele ainda não está certo sobre o fato de estar “aprendendo” mais ou menos em comparação ao que já vivenciou.
    Talvez seja esse mesmo o maior valor a ser descoberto por Insoo nessa jornada sul-africana: habituar-se ao exercício de pensar, pois como já mais bem escrito por João Guimarães Rosa “Mestre não é quem ensina, mas quem, de repente, aprende”.

    Meus cumprimentos a todos os mestres-aprendizes Sustainability Institute.

  3. Silvia Kihara disse:

    Essa semana vi aquele documentário “Girl Rising” e fiquei pensando muito sobre em que educação queremos incluir estas meninas. Será que qualquer educação, de fato, inclui? E o Ciências Sem Fronteiras que inclui apenas alguns cursos? Quais são excluídos mesmo? E os colégios de ensino fundamental que se preocupam com aprovação no vestibular? E os pais que procuram esses colégios? Fica os meu parabéns ao Coreanos que conseguem atingir seus objetivos de formar ótimos engenheiros, de ter excelentes alunos em ciências exatas. Por que o que se vê por aqui são objetivos mal construídos e inalcançados. Mas, posso escolher? Fico com a educação que questiona, que faz pensar, que desconstrói, que dói e incomoda. Que na busca de respostas traz mais dúvidas, mais perguntas. Ainda sobre os Coreanos, todos que eu conheci até hoje amam os brasileiros, adoram nossa espontaneidade, nosso jeito íntimo de tratar. Nos primeiros contatos se assustam com nossos abraços, mas depois se sentem acolhidos. Parabéns pelo post Shima e obrigada por compartilhar isso tudo com a gente!

  4. john gwak disse:

    os coreanos gostam de estudar,eles não tem preguiça de ler livros ou fazer contas de matematicas eles sabem que todo esforço valera a pena no Futuro,e tambem sabem que eles serão o futuro da Coreia^^

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *