A Escola do amanhã, hoje

by • 17 de maio de 2013 • Brasil, Espaços de Aprendizado, inspiraçãoComments (1)3530

sinto

Por Antonio Sagrado Lovato, em colaboração para o Educ-ação

Desde janeiro de 2012, estou realizando com os amigos Raul Perez e Anderson Lima o documentário “Quando sinto que já sei” que tem como ponto de partida a chamada “educação democrática”. Não existe manual para as escolas que fazem parte desse grupo. Cada um dos projetos que visitamos ao longo de um ano e meio tem suas especificidades, mas é possível enumerar algumas semelhanças entre eles: não existe divisão por séries ou por idade, os currículos são flexíveis e muitas vezes dependem da escolha das crianças, em muitos casos há assembleias entre alunos, professores e funcionários, e as paredes só separam o lado de dentro do lado de fora da escola, nada mais.

Neste mês, o filme entrou em fase de finalização e nós nos preparamos para a etapa mais importante (e razão pela qual iniciamos o projeto): apresentar nossa pesquisa, acender o debate e, principalmente, inspirar almas inquietas a lutar por uma educação menos castradora e mais criativa, viva, humana.

O Impacto de Eurípedes Barsanulfo
Cinco anos atrás, quando estava entrando na faculdade de Engenharia de Gestão, passei a dar aulas de informática para um casal de velhinhos muito carinhosos, Sr. Raymundo Espelho e Sra. Elena Stujinski.  Na época, eles me apresentaram a biografia de Eurípedes Barsanulfo, um mineiro que morreu jovem, aos 38 anos, mas realizou uma diversidade impressionante de ações na pequena cidade de Sacramento (MG), onde passou toda sua vida.

Foi médico-homeopata, vereador e fundou, em 1908, o colégio Alan Kardec. A escola funcionou por apenas dez anos, mas esteve à frente de seu tempo por vários motivos. O Brasil vivia a Primeira República e as poucas entidades educacionais que existiam eram restritas aos filhos da nobreza. Em meio a esse contexto, Barsanulfo criou um colégio público, sem seriação, nem distinção por idade ou sexo, que admitia docentes negros e era pautado por aulas-debate e ao ar livre.

Dentre os assuntos estudados, estavam a astronomia, as ciências naturais, a anatomia comparada, a botânica e o ensino inter-religioso, além das disciplinas padrão para a época, como latim, matemática e língua portuguesa. Barsanulfo tinha como norte para seu colégio a autonomia, a afetividade, o diálogo e a liberdade, em um contexto pedagógico em que a palmatória era uma prática comum.

Foi entrando em contato com a história do educador mineiro que nasceu a vontade de buscar formas possíveis de realização da aprendizagem, muito além dos processos tradicionais (e retrógrados) com os quais funciona a maior parte das escolas hoje em dia. Ainda na Engenharia, busquei cursar diversas disciplinas de educação e licenciatura, tomei contato com iniciativas simbólicas como a escola Summerhill, na Inglaterra, um dos mais antigos projetos de educação democrática, criado pelo educador A. S. Neill. Em janeiro de 2011, fui pessoalmente à Escola da Ponte, em Portugal. O projeto tem mais de três décadas de existência e é resultado de um processo árduo e rico de transformações, empreendidas por alunos, educadores, comunidade e pelo carismático professor José Pacheco.

Durante a visita, pude presenciar pela primeira vez uma assembleia da comunidade escolar, organizada por alunos de 11 anos. Nem preciso dizer que foi grande o impacto de testemunhar novas modelos de construção do aprender, completamente diferente daquilo a que eu estava acostumado.

Quando sinto que já sei
Desde o início das gravações até agora, já entrevistamos mais de 50 pessoas e visitamos 7 projetos de educação, tudo de forma independente. O filme está com 95% do material captado e, agora, entra nos últimos dias de uma campanha de financiamento coletivo no Catarse para angariar recursos para a finalização.
Screen Shot 2013-05-17 at 01.07.28

Não é nossa intenção com o documentário apresentar um modelo como solução para todos os problemas que o país enfrenta, mas mostrar que já existem (e, portanto, não é utopia) projetos, espaços e escolas onde a educação é protagonista.

O que acredito ser saudável é um leque heterogêneo de possibilidades. Escolas tradicionais, escolas vocacionais, colégios técnicos, escolas democráticas, escolas espiritualistas e a possibilidade de homeschooling e unschooling.  O mais importante é que a escola seja um reflexo das pessoas, do bairro, da comunidade que a forma. O ambiente escolar é uma construção coletiva que depende de todos os agentes envolvidos – alunos, professores, pais – para se tornar um espaço de desenvolvimento e aprendizagem mútua, tão diversa quanto é a sociedade.

Apoie o filme, qualquer valor é bem vindo e a partir de R$80 você recebe um DVD com o documentário e outras contrapartidas. Compartilhe o link do catarse em suas redes e mailings, precisamos do maior número possível de pessoas envolvidas.

Evento Sarau
Na próxima sexta (17/5), queremos juntar música, poesia, artes visuais e muita gente boa em um SARAU na Vila Madalena! Como o documentário é o ponto de partida do evento, exibiremos algumas prévias do que vem por aí. Haverá comida, bebida e alguns sorteios-surpresa!

SARAU “Quando sinto que já sei”
Quanto: R$10
Quando: 17/05/13 (sexta), a partir das 20:00
Onde: Vila Madalena
Para confirmar sua presença, envie um e-mail para sarauquandosinto@gmail.com
Mais detalhes na página do evento: http://www.facebook.com/events/516867758349868/?fref=ts

Pin It

Related Posts

One Response to A Escola do amanhã, hoje

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *