A revolução educacional já começou

by • 1 de novembro de 2012 • inspiração, JornadaComments (0)3169

Trecho de texto publicado no site Papo de Homem

O mundo da educação está sendo modificado devido a iniciativas espalhadas por todo o mundo. Tais experiências se dedicam a processos mais abertos e humanos, que valorizam a diversidade.


Nem todas as instituições de ensino praticam a “educação bancária”, expressão que o educador Paulo Freire criou para designar os processos nos quais o professor só deposita informação na cabeça do aluno

O coletivo Educ-ação, grupo do qual faço parte, decidiu começar uma pesquisa para identificar essas experiências e compartilhá-las com o mundo. Estamos em busca das iniciativas que unem sonho e pragmatismo. A pesquisa resultará na publicação de um livro, com lançamento planejado para o primeiro semestre do próximo ano.

Antes de explicar o que nos move e o ponto em que estamos, é importante contar de onde surgiu a ideia do projeto e compartilhar o porquê do meu interesse pelo tema da educação.

Você se lembra dos seus anos na escola?

Estudei em diferentes escolas públicas da periferia de São Paulo. Durante o período escolar, frequentei, no total, seis instituições.

Foram meses sem professor de matemática, filosofia, entre outras matérias. Havia docentes que saíam da escola sem nem avisar, deixavam os alunos à deriva, outros faltavam sistematicamente. Frases emblemáticas foram ditas por meus mestres, inclusive uma que vale ser citada pelo teor ruidoso, ainda mais num universo em que a precariedade está à espreita: “No futuro, meus alunos, vou ver vocês nas páginas dos jornais… nas páginas policiais”.


Quem é o bochechudo aí em cima? Até parece aquele garoto que quando cresceu entrou para um coletivo de educação

Foi também a escola o espaço para o encontro com pessoas que me inspiraram. Como a professora de português que parou as aulas de redação para nos ensinar o que é darwinismo. As aulas eram dadas com o suporte do seu notebook velho, no qual abria matérias de uma revista de curiosidades em frente ao grupo de alunos que demonstrasse interesse.

Outro exemplo é o da professora que, no final do ensino médio – período em que só se fala em vestibular, como se todos estivéssemos programados para isso –, resolveu me dar o livro Crime e Castigo, do Dostoiévski. Ela compartilhou comigo uma referência sem nenhuma relação direta com as provas, mas totalmente ligada à vida, à realidade que pulsa em cada um de nós e nem sempre é reconhecida pelas instituições.

Ainda como estudante, intuía que um percurso de aprendizagem devia ser mais rico em significado, mais apaixonante. Sempre me espantei com o mundo.

Abrir os olhos e ver a realidade se desdobrar na minha frente é uma experiência arrepiante; por isso, desde há muito tempo me pergunto: por que a jornada de educação que me ofereceram fecha os olhos para a beleza da vida e o encantamento com o mundo? Por que exercitei minha curiosidade menos do que podia? Como dizia Rubem Alves, “escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do voo”.

Mas, diga aí, todas as escolas são gaiolas? Para Alves (e também para mim), nem todas as instituições são. Há também as que são asas…

CONTINUA…
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