As escolas onde as crianças têm liberdade de escolha

by • 11 de agosto de 2013 • inspiração, PessoasComments (13)10394

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=AQZev-QX1EU&w=560&h=315]

O  alemão Thomas Möller, 22 anos, é um jovem documentarista que resolveu, junto com um amigo educador, criar um filme sobre escolas democráticas, que valorizam as escolhas dos alunos – o trailer do documentário está na segunda parte do vídeo acima. Ele viajou pela Alemanha, Israel, Holanda, Porto Rico e Brasil em busca de inspiração e criou uma campanha de financiamento do seu projeto no site Indiegogo (a campanha acaba hoje (!), dia 11 de agosto e, vale frisar, também é fácil contribuir com o projeto diretamente do Brasil, pois as diações são feitas via PayPal).

Abaixo, segue uma entrevista recente que fizemos com o Thomas.

Como começou seu interesse pelo tema da educação?
Estudei em uma escola muito conservadora. Isso quer dizer que aprendi em um formato que se centrava na figura do professor, com pouca influência sobre meus interesses. Nessa época, pensei se a educação precisava ser desta maneira. E pensei que eu precisava passar por esse processo para entrar na universidade. Na minha imaginação, a universidade era totalmente diferente para a escola: os universitários gostam de aprender, têm uma grande liberdade dentro do sistema e assistem a palestras inspiradoras e cheias de significado. Fiquei meio deprimido, pois também na universidade não é assim… Passado este tempo, descobri um insight: a escola ou a universidade não são responsáveis pela minha educação – eu sou o único que tem a responsabilidade por isso e, se eu não gostar da situação atual, preciso fazer algo a respeito. Fiz a mim mesmo uma série de interrogações, como o quê e como é que eu quero aprender. Qual é o ambiente que tem a ver com o que almejo?
Nessa fase eu conheci um professor, que estava imerso na área de “educação democrática”, e discutimos muito. Decidimos fazer um documentário sobre o tema, impulsionados pelas questões: há escolas onde as crianças gostam de ir? Onde elas têm liberdade de escolha, e com isso a responsabilidade total sobre a sua aprendizagem? E isso funciona? A curiosidade me guiou por diferentes países e foi ficando maior e maior a cada conversa, entrevista ou escola que visitei.

Qual é o maior objetivo do projeto?
O maior objetivo deste projeto é mostrar para as pessoas que existem alternativas para o sistema escolar formal – e queremos mostrar que essas iniciativas podem funcionar, e por que elas podem funcionar.

Qual é o seu sonho para este projeto?
Sonho que as pessoas se inspirem com o documentário e começem a se questionar sobre o tema da educação. Não só para pensar sobre as escolas, mas para pensar sobre a educação como um processo ao longo da vida, em que se descobre o que é significativo, em que se encontra as próprias paixões e sonhos.

demokratische Schule X_28

Quais foram as descobertas mais interessantes durante as viagens?
Uma das descobertas mais relevantes foi a importância dos relacionamentos, não só para aprender, mas para uma vida com sentido. O fator chave para o sucesso de uma escola não é a estrutura – como eu pensava, no início das pesquisas -, mas as relações dentro da comunidade. As pessoas estão incentivando, capacitando e apoiando uns aos outros, em vez de julgar, criticar e culpar? Será que as pessoas se sentem parte do grupo? Elas se sentem valorizadas e são ouvidas? Novamente, isso não é apenas um princípio para a escola, mas para a comunidade ou para a própria vida.

 

 

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13 Responses to As escolas onde as crianças têm liberdade de escolha

  1. angela finger disse:

    já tive a oportunidade de ver jovens que se revoltaram com a escola que estavam pois as crianças tinham total liberdade de escolhas e obviamente só queriam brincar e se divertir, ele mesmo nunca se interessou a aprender a ler nem a escrever e a vontade dele sempre foi respeitada e hoje já jovem se sentia inculto, atrasado e fora de época… questionava até onde a escola teve o direito de fazer aquilo com ele já que ela é a formadora e ele uma criança em aprendizado… tem que ver bem qual é a proposta oferecida pois pode ser um tiro no pé… as coisas devem ser dosadas, nem tanto ao céu nem tanto a terra…

    • andregravata disse:

      Oi Angela, obrigado pelo comentário!
      O que acho interessante da proposta das escolas democráticas é que, geralmente, elas realizam a criação de limites a partir de decisões coletivas. Leia um trecho (ainda inédito!) de um capítulo do livro “Volta ao mundo em 13 escolas”, sobre os colégios Amorim Lima e Politeia, ambas instituições com abordagem democrática em SP: “É no exercício da democracia que os alunos aprendem a ser responsáveis, constroem os próprios limites com a ajuda dos educadores. ‘O limite não é imposto, é dado pelo próprio coletivo. É a assembleia que diz o que pode e o que não pode’, completa a diretora. ‘O limite é estruturante. Gosto da visão do limite como uma demonstração de amor pelo outro. É a partir do limite que se convive’, diz a educadora Gabriela Yanez.”

      Grande abraço!

  2. Mais importante de tudo isso é. não só formar pessoas com liberdade de escolha, mas também formar pessoas que aprendam a ter tempo com elas mesmas – o que infelizmente não é ensinado na academia de educação convencional.

  3. Mais importante de tudo isso é. não só formar pessoas com liberdade de escolha, mas também formar pessoas que aprendam a ter tempo com elas mesmas – o que infelizmente não é ensinado na academia de educação convencional.

  4. Joelma Schur disse:

    Esse modelo é muito parecido com a Escola da Ponte em Portugal que tem como o principio de trabalho que a crianca nao precisa estar presa a uma sala de aula formal para aprender. Ela aprende o que quer e como quer aprender. Só que isso nao acontece sem organizacao, elas levantam suas questoes e em cima dos questionamentos estabelecidos, grupos de interesse comum sao formados e um especialista da área vem a escola para auxilia-los em suas questoes. Já tentaram acabar com essa escola, submetendo as criancas a avaliacoes formais o que foi para a escola um grande sucesso, pois todas as criancas que passaram pelo processo de avaliacao tiveram notas mais altas que alunos de escolas formais. Acredito que a escola democratica que eh apresentada aqui, nada mais eh o modelo da escola da ponte, que considero muitissimo importante. A crianca precisa estar feliz em ir a escola e nao sofrer com professores despreparados empurrando guela abaixo aquilo que foram treinados a transmitir. Tudo pela felicidade no aprender!!!

  5. Joelma Schur disse:

    Esse modelo é muito parecido com a Escola da Ponte em Portugal que tem como o principio de trabalho que a crianca nao precisa estar presa a uma sala de aula formal para aprender. Ela aprende o que quer e como quer aprender. Só que isso nao acontece sem organizacao, elas levantam suas questoes e em cima dos questionamentos estabelecidos, grupos de interesse comum sao formados e um especialista da área vem a escola para auxilia-los em suas questoes. Já tentaram acabar com essa escola, submetendo as criancas a avaliacoes formais o que foi para a escola um grande sucesso, pois todas as criancas que passaram pelo processo de avaliacao tiveram notas mais altas que alunos de escolas formais. Acredito que a escola democratica que eh apresentada aqui, nada mais eh o modelo da escola da ponte, que considero muitissimo importante. A crianca precisa estar feliz em ir a escola e nao sofrer com professores despreparados empurrando guela abaixo aquilo que foram treinados a transmitir. Tudo pela felicidade no aprender!!!

  6. Republicou isso em CorpoInConscienciae comentado:
    Escolas de Confiança, onde estudantes adoram ir e estar

  7. Republicou isso em CorpoInConscienciae comentado:
    Escolas de Confiança, onde estudantes adoram ir e estar

  8. Viviane Costa disse:

    Meninos,
    Gostaria de expressar aqui o meu agradecimento pela oportunidade de vivenciar, ao menos um pouquinho, do que vocês experimentaram.
    Ontem, em Belo Horizonte, ouvi o relato do Shima e do André. Que agradável momento!
    Adquiri o livro e já estou quase na metade. E as lições não se repetem e junto delas, me faz refletir a prática como educadora.
    Muito obrigada de verdade!
    Um beijo,
    Vivi. 😉

  9. andregravata disse:

    Oi Angela, obrigado pelo comentário!
    O que acho interessante da proposta das escolas democráticas é que, geralmente, elas realizam a criação de limites a partir de decisões coletivas. Leia um trecho (ainda inédito!) de um capítulo do livro “Volta ao mundo em 13 escolas”, sobre os colégios Amorim Lima e Politeia, ambas instituições com abordagem democrática em SP: “É no exercício da democracia que os alunos aprendem a ser responsáveis, constroem os próprios limites com a ajuda dos educadores. ‘O limite não é imposto, é dado pelo próprio coletivo. É a assembleia que diz o que pode e o que não pode’, completa a diretora. ‘O limite é estruturante. Gosto da visão do limite como uma demonstração de amor pelo outro. É a partir do limite que se convive’, diz a educadora Gabriela Yanez.”

    Grande abraço!

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