Tem artista brasileiro na Green School !

by • 7 de novembro de 2012 • Asia, inspiração, Jornada, Oceania, Pessoas, UncategorizedComments (0)3011

Quando decidimos colocar a Green School na nossa lista de 12 escolas a serem visitadas, partimos então para o contato mais óbvio: enviar um e-mail para a escola explicando nossa ideia. E então, aguardar ansiosamente pela resposta.

Enquanto isso, André Gravatá descobriu que havia trabalhado com uma jornalista que havia passado 3 meses na escola na Indonésia.

Começamos imediatamente a nos corresponder com Carolina Bergier, que tem um blog muito bacana com muitas reflexões interessantes.

Carolina, imediatamente nos recheou de dicas: Onde ficar, com quem falar e muitas outras coisas. Entre elas disse que um casal de brasileiros estava morando em Bali e tinha um filho na Green School. Não podia ser melhor.

Fui atrás do nome dos dois no Google e descobri que tem uma agência que produz muita coisa interessante sobre turismo e inclusive, educação.

Edu Petta, jornalista e Carol da Riva, fotógrafa e o pequeno Tiago de 6 anos que se apresentava como “artista” moravam em Portugal e já se sentiam um pouco infelizes por lá.

Tiago estudava numa escola pública no Porto. Tudo parecia ir bem até que ele passou para a primeira série e seus pais perceberam claramente que o formato da educação que recebia havia mudado completamente “parecia que ele estava sendo formatado, algo não ia bem” disse Carol.

Me lembrei imediatamente de uma expressão que ouvi de Shaun McGurgan, um dos responsáveis pela pedagogia da Green School: “É muito fácil perceber quando termina o ensino infantil e as crianças vão para a primeira série. As cores desaparecem. Os cadernos se tornam pretos e brancos. Parece que alguém disse : vamos levar a sério agora.”

Ainda em Portugal Carol descobriu estar grávida e a família começava a pensar se voltava para o Brasil ou se ficava onde estava.

Como rodam o mundo fazendo reportagens para revistas especializadas e jornais, tinham passado por Bali há alguns anos.

Depois de cobrir um jogo no Porto para a revista Placar, Edu se viu com uma tabelinha nas mãos decidindo entre voltar para Ubatuba ou ficar em Portugal, com um sorriso de garoto no rosto ele me contou contente: ”depois da terceira cervejinha a decisão apontou pra Bali !”

“Carol, vamos para Bali !” disse ao chegar em casa. “Ok!” disse Carol da forma mais natural, virando para o computador e começando a pesquisar a situação da saúde pública (afinal ia ter um filho por lá – Tiago havia nascido em casa mas mesmo assim queria entender como as crianças nasciam em Bali) e também escolas. Ficou chocada ao perceber que a pequena ilha na Indonésia acomodava 17 escolas internacionais.

Ao chegar ao site da Green School, a decisão parecia óbvia. Carol chorou “É isso que eu queria pro meu filho!”.

Tiago, Edu,Luisa e Carol em Borobudur - brasileiros na Green School

Tiago, Edu,Luisa e Carol em Borobudur – brasileiros na Green School

O primeiro ano em Bali na Green School porém, não foi fácil. Tiago praticamente não falava inglês além dos “yes, no, sleep, sleepy…” segundo suas próprias palavras.

Viveram o período de altos e baixos na Green School com implantação de currículos diferentes, mudanças de diretores, mas reconheceram isso com muito mérito de uma escola que só tem 5 anos de vida, conta com professores fantásticos e é de fato um organismo vivo.

Reconhecem os problemas da escola como oportunidade para a participação dos pais e de toda a comunidade. “Acho que quem reclama deveria por a mão na massa para ajudar a resolver !” diz Edu. A participação dos pais sempre foi algo muito incentivado na escola e vários projetos como o vórtex que gera energia elétrica contam com participação ativa das famílias.

Ao longo dos primeiros meses na Green School, Tiago estava triste, quase não tinha amigos e tinha feito inclusive um desenho onde contava a historia de um peixinho dentuço que ninguém gostava mas que no fundo era um “cara legal”.

Decidiram insistir mais algum tempo e Tiago foi se adaptando e ficando feliz. E conta com uma empolgação enorme sobre uma de suas classes em que estão criando um jogo com seres mágicos de poderes especiais.

A Green School é absolutamente recheada de cores,sons, arvores, animais. A educação por aqui me parece uma experiência mágica de descoberta.

As classes e professores se integram. O professor de inglês está preparando com seu grupo uma peça de teatro onde conta com ajuda da professora de drama. O professor de educação ambiental percorre as hortas da escola com um grupo de crianças absolutamente empolgadas atrás dele. Matt Shroads consegue resumir numa só frase seu papel como “professor” : “minha função é tentar fazer com que estas crianças olhem para a natureza e digam: UAU !”

Mas não se engane. Juntamente com toda esta mágica está um esforço acadêmico de qualidade, afinal, como 90% dos estudantes por aqui vem de diversos países do mundo e podem decidir buscar universidades de “alto nível”, a Green School deve prepará-los também para isso.

O tempo passou e a família de Edu Petta, Carol e a pequena brasileira/balinesa Luisa se adaptaram bem a ilha. Vivem perto de Ubud e além das reportagens e artigos que continuam produzindo, Edu dá aulas de surf. Falam bahasa e são muito próximos de vários professores da escola. Fazem questão de participar das atividades envolvendo os pais e comunidade, a decisão parece ter funcionado bem para todos.

E quanto ao Tiago, seu sorriso e empolgação ao contar suas aventuras na Green School não deixam duvidas sobre a alegria que sente em ir para a escola, e acho que este quadro que ele mesmo fez usando a técnica do Batik, mostram que é de fato um artista. E dos bons.

Tiago pintando com técnica batik

Tiago pintando com técnica batik

 

 

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