Uma das magias da Green School

by • 17 de outubro de 2012 • Asia, Espaços de Aprendizado, inspiração, Jornada, OceaniaComments (11)6414

A Green School é uma escola não apenas viva, mas em movimento. Vem passando por mudanças desde que começou sua trajetória em 2008. Ela não só ensina os alunos a “aprender fazendo” mas também “aprende ao se transformar”. De uma forma geral, percebo que aqui a escola, essa entidade viva que muda ao perceber o que poderia ser melhor, parece muito consciente de seus movimentos.

A mágica também está no bambu

A mágica também está no bambu

É muito difícil definir a “fórmula” da Green School.  Também aí está sua beleza e magia, indefinível, cheia de segredos que se relevam aos poucos, muito aos poucos, como as estruturas de bambu que a cercam. São tantas experiências, tantos espaços, tanto movimento que parece difícil entender como esse organismo funciona. Ainda bem que estamos aqui por uma semana, com a escola desabrochando para a gente a cada nova descoberta.

Uma das coisas que percebo nas conversas que já aconteceram, começando pelo diretor da escola, passando pelos coordenadores pedagógicos, professores, alunos e pais, é que aqui existe uma convivência muito pacífica da estrutura com a liberdade. Alguns dos grandes pensadores/fazedores de educação que eu admiro, como o A. S. Neill e o Rudolf Steiner, baseiam muito de seus pensamentos e práticas nessa questão.

Bamboo Freedom ?

Estrutura com liberdade

Ouvi relatos de alunos falando que “os professores fazem o que quiserem”. Assim como professores falando que “os alunos escolhem as disciplinas que querem estudar” (funciona assim na high school, que corresponde ao nosso ensino médio). Sobre as aulas temáticas – que por si mereceriam um artigo inteirinho – ouvi o coordenador pedagógico dizendo que os professores têm um cardápio de temas para escolher, ao mesmo tempo em que têm liberdade por criar seu próprio tema. As palavras “livre” e “liberdade” apareceram muitas e muitas vezes. Os alunos contam, com visível orgulho da escola onde estão, que a professora de ‘green studies’ (literalmente “estudos verdes”) não gosta de avaliações, então ela não trabalha com nenhum tipo de teste.

Mas também pude perceber que por trás dessa liberdade existem algumas garantias de que as coisas vão acontecer. A liberdade é verdadeira, mas conta com algumas estruturas de pensamento e ferramentas de trabalho que oferecem segurança para que tudo não fique aberto ou democrático demais. Os professores se referem a essa combinação de forma positiva. A Mona, nossa professora do artigo de ontem nos disse: “seria mais difícil se fosse completamente aberto, que alguém falasse: você pode fazer qualquer coisa que quiser.”

Pensando em tudo isso e olhando à minha volta agora mesmo, para as estruturas de bambu que o Shima vem fotografando com muito carinho, penso que aí está parte da fórmula mágica. A Green School encontrou em Bali, esse lugar com uma natureza linda e levemente selvagem e no material do qual ela é feira, o bambu, uma estética que traduz perfeitamente toda essa ética. Os buracos e passagens de luz e ar da estrutura de bambu têm exatamente o espaço para a liberdade que a gente precisa para que nos sintamos protegidos e não aprisionados pela estrutura.

E termino lembrando de uma frase que ganha cada vez mais sentido para mim, do Peter Senge, que diz: “structures of which we are unaware hold us prisoners.”  (tentando traduzir seria algo assim: “as estruturas que não percebemos nos aprisionam”).

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11 Responses to Uma das magias da Green School

  1. To chorando em Toque Toque… sentado na varanda de uma pousadinha, lendo as palavras da Carla sobre a estada do Shima na Green School, choro por que tem bambu, tem liberdade, tem sonho, tem a insanidade saudável que faz derreter o que não nos serve mais, tem história, tem arquitetura integrada à natureza da natureza, tem educação sem cara de educação, tem pontes e rios, tem amizade de bons amigos, tem a beleza como princípio e tem um jeito de contar histórias que faz a emoção aflorar. Gosto da tecnologia que ajuda a tornar nosso mundo de 7 bilhões de pessoas uma única tribo de humanos que acreditam na vocação cuidadora e não belicosa da nossa espécie. Grato Shima, Carla, André e Camila pelo atrevimento apaixonado de revelar com doçura o mundo que sonhamos para nossos tataranetos. Beijos e abraços. José Bueno

  2. To chorando em Toque Toque… sentado na varanda de uma pousadinha, lendo as palavras da Carla sobre a estada do Shima na Green School, choro por que tem bambu, tem liberdade, tem sonho, tem a insanidade saudável que faz derreter o que não nos serve mais, tem história, tem arquitetura integrada à natureza da natureza, tem educação sem cara de educação, tem pontes e rios, tem amizade de bons amigos, tem a beleza como princípio e tem um jeito de contar histórias que faz a emoção aflorar. Gosto da tecnologia que ajuda a tornar nosso mundo de 7 bilhões de pessoas uma única tribo de humanos que acreditam na vocação cuidadora e não belicosa da nossa espécie. Grato Shima, Carla, André e Camila pelo atrevimento apaixonado de revelar com doçura o mundo que sonhamos para nossos tataranetos. Beijos e abraços. José Bueno

  3. edushima disse:

    Agora quem chorou fui eu :-) Talvez o talento de palavras como essa pudesse ajudar a descrever a sensação de se acordar com sapos,cigarras, galos, ouvindo um rio…e a seguir atravessando uma ponte absurdamente mágica pra chegar a um mundo que parece mesmo de “faz de conta”, mas está de fato acontecendo…é de fato real ! Valeu Zé !!!

  4. […] passamos pela Espanha (Team Academy), Suécia (YIP), Inglaterra (Schumacher College), Indonésia (Green School), Índia (Riverside), EUA (North Star) e Brasil (Politeia e Cieja). Como visitamos oito espaços […]

  5. […] passamos pela Espanha (Team Academy), Suécia (YIP), Inglaterra (Schumacher College), Indonésia (Green School), Índia (Riverside), EUA (North Star) e Brasil (Politeia e Cieja). Como visitamos oito espaços […]

  6. […] Somente em 2012, a Green School recebeu 6 mil visitantes. Entre eles, está Eduardo Shimahara, do Educ.ação, projeto parceiro do Porvir que pretende visitar 12 escolas inspiradoras em todo o mundo e relatar a experiência em um livro. Eduardo ficou impressionado com a convivência “pacífica da estrutura com a liberdade”. “Ouvi o coordenador pedagógico dizendo que os professores têm um cardápio de temas para escolher, ao mesmo tempo em que têm liberdade por criar seu próprio tema. Os alunos contam, com visível orgulho da escola onde estão, que a professora de ‘green studies’ (literalmente “estudos verdes”) não gosta de avaliações, então ela não trabalha com nenhum tipo de teste”, relata no blog do Educ.ação. […]

  7. […] Somente em 2012, a Green School recebeu 6 mil visitantes. Entre eles, está Eduardo Shimahara, do Educ.ação, projeto parceiro do Porvir que pretende visitar 12 escolas inspiradoras em todo o mundo e relatar a experiência em um livro. Eduardo ficou impressionado com a convivência “pacífica da estrutura com a liberdade”. “Ouvi o coordenador pedagógico dizendo que os professores têm um cardápio de temas para escolher, ao mesmo tempo em que têm liberdade por criar seu próprio tema. Os alunos contam, com visível orgulho da escola onde estão, que a professora de ‘green studies’ (literalmente “estudos verdes”) não gosta de avaliações, então ela não trabalha com nenhum tipo de teste”, relata no blog do Educ.ação. […]

  8. […] Somente em 2012, a Green School recebeu 6 mil visitantes. Entre eles, está Eduardo Shimahara, do blog Educ.ação, projeto parceiro do Porvir que pretende visitar 12 escolas inspiradoras em todo o mundo e relatar a experiência em um livro. Eduardo ficou impressionado com a convivência “pacífica da estrutura com a liberdade”.(Leia o artigo que o Porvir publicou sobre uma das visitas de Eduardo a Green School) “Ouvi o coordenador pedagógico dizendo que os professores têm um cardápio de temas para escolher, ao mesmo tempo em que têm liberdade por criar seu próprio tema. Os alunos contam, com visível orgulho da escola onde estão, que a professora de ‘green studies’ (literalmente “estudos verdes”) não gosta de avaliações, então ela não trabalha com nenhum tipo de teste”, relata no blog. […]

  9. […] Somente em 2012, a Green School recebeu 6 mil visitantes. Entre eles, está Eduardo Shimahara, do blog Educ.ação, projeto parceiro do Porvir que pretende visitar 12 escolas inspiradoras em todo o mundo e relatar a experiência em um livro. Eduardo ficou impressionado com a convivência “pacífica da estrutura com a liberdade”.(Leia o artigo que o Porvir publicou sobre uma das visitas de Eduardo a Green School) “Ouvi o coordenador pedagógico dizendo que os professores têm um cardápio de temas para escolher, ao mesmo tempo em que têm liberdade por criar seu próprio tema. Os alunos contam, com visível orgulho da escola onde estão, que a professora de ‘green studies’ (literalmente “estudos verdes”) não gosta de avaliações, então ela não trabalha com nenhum tipo de teste”, relata no blog. […]

  10. […] we have passed through Spain (Team Academy), Sweden (YIP), England (Schumacher College), Indonesia (Green School), India (Riverside), Argentina (Escuelas Experimentales), South Africa (Sustainability Institute), […]

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