Uma expedição ao interior da Índia

by • 30 de agosto de 2013 • Asia, inspiração, Jornada, UncategorizedComments (2)7837

Bem-vindos à India! Diz Luke Metelerkamp, natural do Zimbabwe, 28 anos. Luke é um daqueles cidadãos globais com passagens por diversos países do mundo.

Desta vez, ele esta recebendo um grupo de 9 alunos de 4 diferentes nacionalidades com idades que variam entre 22 e 50 anos para um programa de imersão na pequena (para os padrões do país) cidade de Wardha, na província de Maharastra, bem no coração da India.

Para chegar a Wardha, os alunos partiram da movimentada Mumbai na costa oeste Indiana e pegaram um trem onde passaram cerca de 14 horas. A cidade foi um dos locais onde Mahatma Gandhi viveu por mais de 20 anos e ainda é possível visitar o seu “ashram” e sua pequena cabana.

A Índia por si só já valeria a viagem. Para os que já conhecem, tem certamente uma dimensão das diferenças culturais e físicas. Para os que chegam ali pela primeira vez, percebem que a Índia não é apenas mais um país, mas, sim, um outro universo. Inúmeras camadas foram se sobrepondo ao longo dos anos e o país se tornou uma mistura absolutamente única que pode ser um paraíso para os que ali chegam dispostos a mergulhar e viver as diferenças, ou um grande choque para os que esperam os costumes, serviços e paisagens ocidentais.

O trânsito aparentemente caótico pode ser interpretado de outra forma. Com tantas motos, riquixas, carros, bicicletas, pessoas e vacas dividindo as mesmas ruas ao som absolutamente constante de buzinas (que aqui funcionam como uma forma de comunicação e não de pressão) é muito difícil ver qualquer tipo de acidente. O trânsito simplesmente flui de forma harmônica no aparente caos absoluto.

Luke é o fundador de uma iniciativa de imersão cultural e acadêmica que leva o nome de SI Explorers. O programa tem duas modalidades. Uma mais radical, que levará em 2014, 20 jovens entre 18 e 21 anos de idade de diversas nacionalidades para passarem 7 meses vivendo em 6 diferentes países, se aventurando por diferentes culturas e aprendendo num formato que, obviamente, não pode ser replicado dentro de uma sala de aula. Uma outra versão do programa, talvez mais tangível e possível para mais pessoas, são módulos que duram entre 2 a 3 semanas com temas específicos e que misturam imersão cultural e pesquisa acadêmica. Os módulos podem ser cursados em conjunto ou de forma isolada.

Desta vez, o educ-acao.com embarcou junto nesta jornada para viver um formato diferente de aprendizagem e de experiência.

O grupo reunido na casa de um pequeno agricultor que cultiva mais de 28 variedades em 1,5 hectares de terra usando técnicas tradicionais

O grupo reunido na casa de um pequeno agricultor, que cultiva mais de 28 variedades em 1,5 hectares de terra usando técnicas tradicionais

O tema que decidimos estudar com o SI Explorers foi “Food Systems and Globalized Agriculture” (“Sistemas de alimentação e a globalização da agricultura”) e para isso, passamos 14 dias imersos na fazenda experimental Dharamitra em Wardha. Fundada pelo PhD Tarak Kate, a fazenda tem como foco o resgate de técnicas tradicionais de agricultura (a Índia tem 6 mil anos de historia agrícola) e testes científicos de tais técnicas, como forma de se ampliar a difusão de tecnologias mais sustentáveis neste campo. Os estudos são conduzidos de forma a ouvir diversas perspectivas. Desde agricultores que defendem a “revolução verde” com a adição maciça de insumos químicos e sementes transgênicas, passando por outros agricultores que conseguem ser lucrativos usando apenas técnicas tradicionais aprendidas e transmitidas por dezenas de gerações.

Agricultores Indianos que resistem à modernização e utilizam o conhecimento de mais de 6.000 anos de história agrícola no país

Agricultores Indianos que resistem à modernização e utilizam o conhecimento de mais de 6 mil anos de história agrícola no país

A fazenda tem acomodações bastante simples, dignas de uma cidade rural no interior deste imenso país. Galpões dormitórios compartilhados por homens de um lado e mulheres de outro, além de banheiros indianos e banhos de balde com água fria. A imersão no dia a dia da fazenda, utilizando as técnicas aprendidas na teoria, envolveu o plantio de uma horta, além de exames de laboratório em amostras de solo.

A rotina do dia a dia se divide entre o trabalho na horta, a visita a produtores de pequena e grande escala, palestras com especialistas de diversas áreas ligadas a agricultura e também trabalho em grupo, além de muitas leituras de diferentes artigos temáticos.

O programa criado por Luke esta ligado ao Sustainability Institute na Africa do Sul – tanto pode ser cursado como parte do programa de Mestrado oferecido pelo instituto quanto de forma isolada, por qualquer aventureiro que se interesse pelos temas oferecidos.

Depois de 14 dias na Índia, Luke Metelerkamp embarca para o Nepal, onde vai guiar outros 5 estudantes numa imersão em outro módulo, desta vez, “Ecological Design and Community Building” (“Design ecológico e construção de comunidades”). A imersão no Nepal não tem nenhuma base física, já que o grupo vai literalmente caminhar e acampar todos os dias em diferentes altitudes e visitar vilarejos que resistem à modernização.

Se os 14 dias na Índia valeram a pena para estudantes que vieram da Holanda, África do Sul, Estados Unidos e Brasil? A emoção do ultimo dia, tentando buscar palavras para agradecer a todo a equipe que fez parte do programa, sem dúvidas pode ser uma pista da transformação pela qual alunos e alunas passaram. Afinal, nada melhor do que viver a teoria na prática. Melhor ainda se a prática vier acompanhada da serenidade, amizade e temperos indianos.

Namastê!

* Para saber mais : luke@sustainabilityinstitute.net

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2 Responses to Uma expedição ao interior da Índia

  1. Leonardo Ferreira disse:

    Parabéns SHima, Andre e todos envolvidos, tenho certeza de que o livro será um sucesso!!!

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